A bola te conhece e reconhece. Espera carente pelo teu toque envolvente, teu domínio eloqüente, e se entrega em deleite às carícias do bem tratado couro de tuas caras chuteiras.
Os gramados, que nos últimos anos, nem sempre estiveram à altura da arte que sempre fluiu sorridente de teus pés, esperam, sempre sedentos, por acolher em seu esperançoso verde, o teu sagrado suor.
O que será dessa menina, dos gramados e de nós, reles e mortais súditos, que sempre acompanhamos boquiabertos e embasbacados, tuas geniais alternativas para conduzir, entre dribles e explosivas arrancadas, a tua preferida ao canto do qual ela mais gosta. As redes adversárias.
Perdeste para o corpo e para o tempo.
Logo estes?! Teus mais constantes aliados?!
Se não tens corpo, nem tempo, que te permitam encher nossos olhos com teus elásticos e pedaladas que, invariavelmente, precediam teus gols, mais parecidos com Picasso ou Gaudí, teremos mais do que tempo para saudosos recordarmos em V.T., tudo o que de belo fizeste.
Humano és! E como tal, por vezes perdeste a mão e por outras, a linha. Porém, a linha que traçastes desde as primeiras e longínquas investidas em nome de um tal santo chamado Cristóvão, nos guia, e já não era sem tempo, e nos coloca diante de um pedestal. Se as palavras exageram, teus feitos não as contradizem.
As legendas da História que deixaram a vida para nela entrar, só puderam fazê-lo uma única vez. E tú que, de marejados olhos, sentistes a "primeira morte", História já és. Ainda tens uma vida inteira para fazer História e , como um certo rei que há quarenta anos, só acrescenta à sua majestade, tornar-te o que todos já dizem que és: um fenômeno que virou mito!

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